Portalegre foi palco no sábado, dia 18 de novembro, do lançamento do livro “Olivença na História”, ocorrido na sede do Instituto Politécnico perante uma sala medianamente cheia.

O livro em questão, editado pela Comissão dos Negócios Estrangeiros e pelo Grupo dos Amigos de Olivença, tem, segundo o historiador Carlos Luna, “um título algo enganador: ‘Olivença na História’ porque a obra, lançada originariamente, em 19 de julho de 2022 na Biblioteca da Assembleia da República (Palácio de São Bento), mais do que uma História é uma sistematização de textos de pouco mais de uma dezena de autores justificando a reivindicação, oficial e nunca abandonada, da região de Olivença por parte do Estado Português”, garante.

Entre os autores, destaque para Eduardo Vera-Cruz Pinto, Carlos Alberto Jorge Consiglieri (recentemente falecido), Susana Antas Videira, António Ventura e Carlos Eduardo da Cruz Luna, entre outros.

Na cerimónia começou por usar da palavra o presidente da direcção do Grupo dos Amigos de Olivença, Rui Sá Carrilho, que descreveu as inúmeras dificuldades que foram surgindo desde 2016. A própria pandemia de Covid 19 atrasou, e muito, o processo. Assinalou o impulso decisivo dado pelo deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, presidente da referida Comissão. Recordou a palavras deste no lançamento em 2022, isto é, de que sobre o tema se evite qualquer tom demasiado ofensivo, (disse mesmo querer “arrancar” o tema de vez, a correntes “chauvinistas”, e mantê-lo nos limites de uma análise científica…), mas reafirmando, sem margem para dúvidas, que, para Portugal, Olivença é um território português ocupado por Espanha à margem da Lei Internacional. Sem tibiezas. Sem “tabus”.

Rui Sá terminou a sua intervenção revelando que o livro já vai na sua terceira edição, um recorde em termos de Biblioteca da Assembleia.

Usou da palavra, posteriormente, o presidente da assembleia geral do Grupo dos Amigos de Olivença, o Professor Humberto Nuno de Oliveira, que apresentou um resumo da História de Olivença, principalmente depois de 1297 (Tratado de Alcañices de 1297, quando a região passou a ser portuguesa), demonstrando nunca ter Castela (depois Espanha) tido qualquer dúvida sobre a posse portuguesa da localidade, passando pela Guerra da Restauração, quando quase todos os seus habitantes, entre 1657 e 1668, abandonaram a Praça, ocupada por Espanha, só a ela regressando após a paz final que a restituiu às autoridades de Lisboa, e terminando no período negro e de História confusa entre 1793, passando por 1801 (ocupação por Espanha), e terminando em 1817, data da aceitação por Madrid da entrega a Lisboa, postergando depois a retrocessão pelos mais variados motivos… situação que se mantém até aos nossos dias.

Falou, depois o vice-presidente da Direção dos Amigos, o Ten. Cor. na reforma Brandão Ferreira, que reforçou as dúvidas finais da intervenção anterior, interrogando-se sobre “as razões que têm levado Lisboa, desde há duzentos anos, a não assumir a reivindicação em termos públicos e mais assiduamente, em vez de manter um quase total silêncio, nomeadamente nas Cimeiras Luso-espanholas”. Considerou que eram necessárias mais iniciativas por parte de cidadãos sensibilizados, bem como ações com reflexos a nível internacional. Leu, mesmo, uma carta pessoal, por si enviada ao atual rei de Espanha.

Foi depois perguntado ao público se alguém queria pôr alguma questão. Interveio outro membro da Direção, Carlos Luna, que começou por pôr em causa a ideia comum de que em Espanha Olivença teria conhecido um maior desenvolvimento. Citou mesmo um livro de História espanhol ( «En 1801, el território extremeño se veria repentinamente aumentado con la importante ciudad de Olivenza – entonces tan grande y poblada como badajoz -, conquistada a Portugal en la llamada Guerra de las Naranjas por el próprio Godoy(…)”. Carlos Luna denunciou ainda aquilo que considera serem “práticas continuadas de aculturação espanhola em Olivença, num esforço deliberado para apagar a memória portuguesa, não só a nível de arquitetura, casario, apelidos, nomes de ruas e de aldeias, mas a nível de conhecimentos históricos gerais ou particulares a Olivença, sem esquecer aspetos ‘sentimentais’ vários, incluindo crenças religiosas, e, claro, a língua portuguesa”. Pediu que quem visitasse Olivença tivesse essa realidade em linha de conta, e a “respeitasse diplomaticamente”.

Após algumas pequenas, divergências sobre aspetos do Direito Internacional no que toca a processos de descolonização, procedeu-se à tomada de posse oficial da delegação do Distrito de Portalegre do Grupo dos Amigos de Olivença, liderada por Marco Oliveira e composta por mais seis personalidades do distrito.

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