Fotografia: Diamantino Gonçalves

A Associação Portuguesa de Imprensa distinguiu, pela primeira vez, sete entidades e personalidades pelo trabalho desenvolvido em prol da Imprensa. A entrega dos prémios decorreu no New Hand Lab, na Covilhã, cidade que acolheu as comemorações do Dia Nacional da Imprensa.

Além do Prémio Ensino Superior, Prémio Parceria, Prémio Pormoção da Imprensa, Prémio Património Editorial, Prémio Projeto Inovador e Prémio Carreira de Excelêcia, a Associação Portuguesa de Imprensa distinguiu ainda o Município da Covilhã com o Diploma de Reconhecimento, pelo apoio dado ao Dia Nacional da Imprensa, que este ano decorreu no dia 7 de dezembro, naquela cidade da Beira Interior.

Entre os prémios entregues destacam-se duas serigrafias de Siza Vieira (representação de Amália), três serigrafias de João Vaz de Carvalho e uma prova de autor de António Carmo.

A sessão de entrega dos prémios ficou a cargo de Paulo Braz, jornalista da RTP.

Mário Raposo (à direita na foto), reitor da Universidade da Beira Interior, recebe o Prémio APImprensa Ensino Superior – uma serigrafia de João Vaz de Carvalho – das mãos de José Sousa, diretor da Associação Portuguesa de Imprensa

Prémio Ensino Superior – Universidade da Beira Interior

Uma das entidades distinguidas pela APImprensa no Dia Nacional da Imprensa é a Universidade da Beira Interior (UBI). Instituição incontornável da região da Beira Interior, acolhe cerca de nove mil alunos, distribuídos por cinco faculdades – Artes e Letras, Ciências, Ciências da Saúde, Ciências Sociais e Humanas, Engenharia – com uma oferta formativa adequada a Bolonha e estruturas laboratoriais e de investigação de apoio ao ensino e com fortes ligações à sociedade e ao mundo empresarial. Trata-se de uma instituição que presta um inestimável serviço à sua região e ao País, quer ao nível do ensino, quer ao nível da investigação.

No campo da Comunicação e, muito concretamente, na área do Jornalismo é, hoje, uma das academias de referência em Portugal, tendo formado ao longo dos anos, centenas de profissionais, muitos deles a ocuparem posições de destaque em órgãos de comunicação locais, regionais e nacionais. Destaque ainda para a componente de investigação na área da Comunicação, na qual a UBI alcançou um papel de relevo quer nacional, quer internacional.

A Universidade da Beira Interior é uma das academias portuguesas em evidente expansão, recebendo alunos de todas as regiões do País, a que se juntam estudantes internacionais de dezenas de nacionalidades, nomeadamente dos países lusófonos e da América Latina.

A Universidade da Beira Interior é a quinta melhor instituição portuguesa entre as 15 incluídas no ranking mundial de universidades do Times Higher Education. A edição deste ano do World University Ranking (WUR) coloca a UBI nos lugares seguintes aos ocupados pelas academias das cidades de Coimbra, Lisboa e Porto. Em termos mundiais, a lista inclui 1904 escolas de Ensino Superior de todo o mundo, a UBI está situada no patamar 601-800.

As jornalistas Dina Aguiar e Filipa Costa receberam, em nome do programa Portugal em Direto, o Prémio APImprensa Parceria, uma serigrafia de Siza Vieira (representação de Amália), cedida pelo Jornal do Fundão

Prémio Parceria – Portugal em Direto (RTP)

O programa Portugal em Direto, espaço de informação nacional emitido de segunda a sexta-feira, produzido pela jornalista Filipa Costa e apresentado pela Jornalista Dina Aguiar, é outro dos distinguidos pela APImprensa. Estreou a 10 de outubro de 2005, e ocupa atualmente o horário 17h30-19h00 da RTP1. O programa aposta na atualidade nacional, sempre atenta aos problemas das populações contando para isso com todo o empenhamento e colaboração dos vários centros regionais da RTP. Sem menosprezar a atualidade, procura dar mais atenção aos assuntos e às pessoas da nossa terra o que diferencia o seu conteúdo da generalidade da restante informação.

Nesta extraordinária filosofia de fazer uma informação que procura estar sempre próxima das pessoas e das comunidades que tantas vezes estão fora grande agenda mediática, “Portugal em Direto” presta ainda um outro grande serviço, desta feita, à imprensa local e regional, dando a oportunidade a meios, através da voz dos seus jornalistas e diretores, fazerem chegar à vasta audiência deste programa da RTP as últimas novidades impressas nos jornais, valorizando não só o trabalho desses títulos, mas também das comunidades que servem.

Trata-se, pois, de uma inestimável visibilidade dada aos meios de comunicação locais e regionais deste País e, simultaneamente, um reconhecimento ao trabalho que muitos jornalistas e empresas jornalísticas fazem por este país fora, muitas delas resistindo em contextos económicos e demográficos bastante desfavoráveis.

Pedro Pimpão, presidente da Câmara Municipal de Pombal, agradece a atribuição do Prémio APImprensa Promoção da Imprensa, uma serigrafia de Siza Vieira, oferecida pelo Jornal do Fundão

Prémio Promoção da Imprensa – Município de Pombal

O poder local tem um papel importante a desempenhar na defesa da imprensa, no combate à desinformação e na promoção da literacia mediática. Neste Dia Nacional da Imprensa, a Associação Portuguesa de Imprensa quis reconhecer uma parceria exemplar com a Câmara Municipal de Pombal, através de um protocolo que valoriza a presença da Imprensa junto das Escolas secundárias e dos idosos do concelho de Pombal, envolvendo quatro jornais, dois títulos regionais e dois locais.

Além do acesso às edições dos jornais envolvidos, o protocolo tem permitido a realização de encontros entre jornalistas e jovens estudantes e entre jornalistas e idosos. Estes encontros têm abordado a importância da cidadania, o problema da desinformação e a urgência em valorizar a imprensa enquanto pilar da liberdade e constituinte da democracia.

Afonso Camões, em representação da Global Media Group, recebe o Prémio APImprensa Património Editorial, uma serigrafia de João Vaz de Carvalho, cedida pelo autor

Prémio Património Editorial – Açoriano Oriental

É o jornal português mais antigo. Nos seus arquivos estão os registos de um mundo em mudança desde o século XIX. Trata-se de um título que é património, não só da região onde nasceu, mas também do País. O Açoriano Oriental foi fundado há 188 anos, em 18 de abril de 1835, época que corresponde a um momento áureo do jornalismo a nível nacional e internacional, precisamente aquele que foi a primeira grande vaga de expansão mundial da imprensa como meio de massas.

Foi fundado por Manuel António de Vasconcelos, nascido no Pilar da Bretanha, uma personalidade em que o político e o jornalista apareciam associados e confundidos numa mesma vocação de serviço público e comunitário. Era um liberal e um vigoroso defensor dos seus princípios e a fundação do novo jornal inscrevia-se, sem margem para equívocos, nas lutas políticas que se travavam a nível nacional.

Era um jornal de combate e debate, esteio e veículo dos princípios constitucionais mais avançados e, ao mesmo tempo, o porta-voz das principais reivindicações da terra e do seu povo, como desde 1979 voltou a ser. Quatro meses antes do aparecimento do Açoriano Oriental tinha sido promulgada a primeira lei de liberdade de imprensa em Portugal e Manuel António de Vasconcelos estabeleceu logo no primeiro número o que hoje se chamaria de estatuto editorial e que atualmente se pode considerar uma notável peça jornalística, pelo seu vigor e sobriedade, perante qualquer moderno estatuto editorial.

Ao longo dos seus quase 190 anos de vida, o Açoriano Oriental a passou por várias vicissitudes, teve diversas orientações, mas a todas sobreviveu. Merece ser recordado Manuel Ferreira de Almeida que ao longo de trinta anos e com grandes sacrifícios pessoais manteve o Açoriano Oriental sempre em publicação até que em meados da década de sessenta foi adquirido pela “Impraçor” e em 1 de janeiro de 1979 passou a jornal diário.

Em novembro de 1996, o Açoriano Oriental é integrado na empresa Açormedia, constituída a partir dos acionistas da Impraçor, aos quais se juntou o Grupo Lusomundo, presentemente denominado Global Media Group, que detém a maioria do capital. Assim se mantém, numa linha editorial de liberdade, rigor e isenção política e económica, tendo como trave-mestra da sua orientação “a livre administração dos Açores pelos açorianos” na defesa de uma ampla autonomia política e administrativa.

Essa linha editorial assegura-lhe uma prestigiante situação de jornal de referência e a liderança da imprensa diária açoriana, honrando o prestigioso título do mais antigo jornal português e um dos dez mais antigos de todo o mundo em publicação contínua e regular com o mesmo nome. Isto mesmo é aliás reconhecido pelo Estado ao conceder-lhe em 1989 o título de Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique.

Catarina Carvalho, diretora do jornal Mensagem de Lisboa, recebe o Prémio APImprensa Projeto Inovador – serigrafia de João Vaz de Carvalho – das mãos de João Alves e Almeida, diretor da Associação Portuguesa de Imprensa

Prémio Projeto Inovador – Mensagem de Lisboa

Mensagem de Lisboa é um jornal, digital e comunitário, de Lisboa e dos lisboetas. Mas não é só um jornal – participa na vida da cidade de Lisboa – nem é só de Lisboa, atuando em toda a área metropolitana.

Nasceu em 2021, com sede emocional na Brasileira do Chiado, renovando o espírito do jornalismo de cidade, cultural e interventivo, social e criativo.

Com uma abordagem otimista e inspiradora, praticando um jornalismo de soluções, resgatando os lisboetas do papel de vítimas das notícias, é sobre eles e para eles que a Mensagem trabalha, os heróis da cidade. O projeto foi premiado com o Gazeta de jornalismo local em 2022, e tem recebido inúmeras bolsas, apoios e prémios de jornalismo, integração e diversidade e inovação.

Albérico Fernandes, em representação de Francisco Pinto Balsemão, recebe o Prémio APImprensa Carreira de Excelência, uma prova de autor de António Carmo, cedida pelo próprio

Prémio Carreira de Excelência – Francisco Pinto Balsemão

O prémio carreira distingue um percurso de excelência de um homem que conhece o jornalismo por dentro. O seu nome é reconhecido no país e no estrangeiro como jornalista, editor, empresário dos media e participante ativo e empenhado nas associações do setor. Lutou contra a censura, opôs-se à ditadura e construiu um grupo de comunicação social, Impresa Publishing, que sempre foi reconhecido como um espaço de liberdade para pensar.

Francisco Pinto Balsemão sempre serviu a comunicação social e nunca se serviu da comunicação social. Quando foi preciso construir a vida democrática interrompeu a carreira de editor e empresário de imprensa e participou ativamente na vida política. Num tempo muito difícil e exigente, foi primeiro-ministro de Portugal. O seu governo foi duramente criticado pelo seu jornal, o semanário Expresso, a quem sempre concedeu total independência editorial.

Francisco Pinto Balsemão é um nome maior da imprensa portuguesa e as marcas de informação do grupo que lidera são um exemplo inspirador e uma referência no panorama nacional e internacional.

Os pilares da carreira do jornalista e empresário dos media, Francisco Pinto Balsemão, estão enraizados na missão de informar, entrelaçando-se numa visão inovadora, que assume como valores maiores a pluralidade e a independência, plasmada num serviço público e numa cidadania ativa feito de rigor e ética, que se cumpre através do respeito pela deontologia dos jornalistas.

Vítor Pereira (à direita na foto), presidente da Câmara Municipal da Covilhã, recebe o Diploma de Reconhecimento das mãos de Francisco Santos, diretor da Associação Portuguesa de Imprensa

Diploma de Reconhecimento – Cidade da Covilhã

Ninguém fica indiferente à cidade da Covilhã, a nossa anfitriã. Cidade de personalidade bem vincada, forjada nos teares que fizeram dela a “A Manchester de Portugal “, incontornável polo industrial e económico da história deste país, podendo hoje acrescentar-se a esse poderoso ADN que percorre as veias da Covilhã outros grandes atributos, como o turismo, o ensino, a saúde, a tecnologia, entre outros.

Nesta já longa viagem que esta cidade faz na história também são muitos e diversos os projetos jornalísticos que acolheu, ajudando a fomentar o saudável debate no espaço público e a partilha de visões e opiniões, que são imagem de marca desta cidade com um forte compromisso com as liberdades cívicas e de pensamento.

Mas uma das coisas que sempre foi transversal à Covilhã é a hospitalidade. Com este diploma, a APImprensa agradece, na pessoa do presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Vítor Pereira, todo o empenho e disponibilidade que este município teve para receber este Dia Nacional da Imprensa. O nosso bem-haja à Covilhã.

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