A elevada qualidade do azeite produzido em Portugal e o valor mais baixo que o consumidor pagava explicam a subida do preço deste produto no país, face a outros, apontou hoje uma associação do sector.
Estes foram factores indicados à agência Lusa por Susana Sassetti, diretora executiva da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, sobre a subida de 69% do azeite em Portugal, em janeiro, divulgado pelo Eurostat.
“Em Portugal, o azeite acabou por aumentar mais do que noutros países porque também estava mais barato e porque nós produzimos azeites de qualidade e de topo”, afirmou a responsável desta associação que tem sede em Beja.
Assinalando que a produção de azeite em Portugal “está sempre a aumentar de ano para ano”, Susana Sassetti salientou que o produto nacional é também de qualidade, uma vez que “95% do azeite português acaba por ser virgem extra”.
De acordo com os dados do Eurostat, divulgados na terça-feira, com a subida de 69% em janeiro, Portugal registou o maior aumento homólogo do azeite, que na média da União Europeia (UE) aumentou 50%.
Susana Sassetti lembrou que o preço do azeite é definido por Espanha, que é o maior produtor do mundo, com mais de metade do que se produz no conjunto dos países, cuja produção deste ano caiu para metade.
“Como o consumo de azeite não é tão elástico como se pensava e não caiu na mesma proporção [da produção], no fundo, é a lei da oferta e da procura e acabou por fazer os preços virem para valores nunca antes vistos”, referiu.
A diretora executiva da Olivum considerou que “em Espanha não está previsto haver uma estabilidade” na produção de azeite, ou seja, “a produção foi menor também este ano”, pelo que previu que o preço em Portugal continue a subir.
“Vai continuar a aumentar um pouco e, depois, possivelmente no próximo ano, começará a estabilizar, mas baixar não vai de certeza”, vincou.
Quanto aos associados da Olivum, Susana Sassetti adiantou que a campanha deste ano foi “ótima para a azeitona”, ainda que a extração de azeite tenha sido “mais difícil” do que o expectável, porque “as chuvas em outubro e as geadas em janeiro e fevereiro deram muita humidade às azeitonas”.
“Apesar de ter sido uma produção boa em termos de azeitona, em termos de azeite acabou por ser pior, daí a acidez ser um bocadinho mais elevada do que o costume, mas sempre dentro dos níveis de azeite virgem extra”, notou.
De acordo com a Olivum, nesta campanha, a produção dos seus associados alcançou as 105.000 toneladas, um valor que representa cerca de 70% da totalidade do azeite produzido em Portugal.
Em comparação com a anterior campanha, sublinhou a diretora executiva da Olivum, “a produção de azeite diminuiu, mas não diminuiu tanto porque entraram em produção novos olivais”.
A Olivum é atualmente a maior associação de olivicultores e lagares do país, com 49 mil hectares de olival, 130 grupos associados, mais de 300 explorações e 18 lagares.
De acordo com os dados do serviço estatístico europeu, na UE, o preço do azeite disparou na segunda metade de 2023, com um pico inflacionário de 51% em novembro, face ao mesmo mês de 2022.
Em dezembro de 2023, o aumento homólogo do preço do azeite abrandou ligeiramente para 47% e voltou a acelerar em janeiro.
Em janeiro, o preço do azeite aumentou em todos os Estados-membros.

SM (IG) // RRL
Lusa

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