A Taberna O Ministro, localizada no coração de Campo Maior, é uma aposta certeira para quem deseja apreciar a gastronomia alentejana com qualidade. Liderada pelo chef João Paulo Borrega, a casa propõe receitas caseiras para saborear lentamente. Não há como sair desapontado.

Uma história de resiliência e tradição

Aberta originalmente na rua 13 de Dezembro, na zona mais antiga de Campo Maior, em 1987, a Taberna O Ministro passou por altos e baixos. Fechada em 2000, reabriu em 2002, permitindo uma reflexão sobre o negócio, o serviço e o mercado. “Não quisemos fugir às tradições”, afirma o chef Borrega, enfatizando que o foco inicial foi conquistar o cliente da região antes de pensar no turismo, um passo crucial para o sucesso da casa.

Ementa alentejana de provar e chorar por mais

Os pratos da Taberna O Ministro reflectem a tradição alentejana. Migas com carnes de porco preto na brasa, entrecosto frito e borrego são algumas das especialidades.

“Os pratos com carnes de porco preto são um símbolo alentejano, um estandarte no Alentejo”, salienta o chef. A carta de vinhos é dominada pela Adega Mayor, uma empresa local que contribui para a economia da região.

Na experiência não faltam os enchidos, queijos e sopas regionais. Do cardápio há escolhas que são intocáveis e dela fazem parte a Sopa de Tomate com Ovo Escalfado, a Açorda Alentejana com Bacalhau e Ovo, a Canja de Galo do Campo ou a Sopa de Cação.

A experiência gastronómica pode completar-se com um Ensopado de Borrego ou uma Trilogia de Migas (Pão com Alho, Espinafre e Batata com Salsa) que são tradicionais do território e acompanha as carnes nobres de Porco Preto.

Entre as preferências do chef estão os pratos de Galo do Campo Tostado e de Galo do Campo de Tomatada. Propostas imperdíveis e que merecem ser saboreadas.

A carta de vinhos é predominantemente Adega Mayor, fruto de uma coesa parceria comercial, existindo, porém, outras duas ou três marcas à consideração do cliente.

As sobremesas são, na maioria, feitas no restaurante, excepto alguns doces conventuais fornecidos por uma empresa especializada para completar a carta.

Ambiente e decoração

Com uma lotação para 100 pessoas, a Taberna O Ministro oferece um espaço interior decorado de forma pitoresca, ligando-se à gastronomia alentejana, e uma zona exterior agradável. A música ambiente é o fado, complementando a experiência cultural e gastronómica.

Qualidade justifica preços que não estão inflacionados

Reconhecendo que os preços podem não ser os mais convidativos, João Paulo Borrega defende a alta qualidade oferecida, fruto de um trabalho sério. “A fasquia foi colocada cá em cima e isso tem custos”, explica, destacando que o serviço de alta qualidade acarreta despesas que se reflectem no consumidor final.

“Quis correr esse risco num país em que os trabalhos sérios e com qualidade têm custos muito elevados. Não se consegue fazer isto de outra forma. Os preços da ementa não estão inflacionados tendo em conta o nível dos preços actuais dos produtos”, salientou.

Apesar disso, a Taberna O Ministro atrai uma clientela diversa, desde habitantes locais a turistas, devido ao circuito turístico e cultural crescente no Alentejo.

“Queremos cá toda a gente. Uns virão porque podem vir todos os dias, outros em ocasiões especiais, outros pontualmente e alguns por negócios. O que é importante é que, de quando em vez, vimos as mesmas caras”, frisou o chef, lembrando que a casa é também procurada “por quem visita a região”.

“Nós temos a responsabilidade de oferecer e completar toda uma experiência que vai além dos museus ou do património. Normalmente quem visita o distrito já traz delineado onde vai pernoitar e onde vai comer, é aí que nós temos de entrar e ser actores principais. As pessoas vêm procurar o que é nosso” lembra.

Equipa que sabe receber

A localização da Taberna, na Travessa dos Combatentes da Grande Guerra, é estratégica, estando a 14 quilómetros de uma fronteira muito concorrida e na passagem prioritária para a Beira Alta e Baixa. Com uma equipa de 8 pessoas durante a semana e 12 aos fins-de-semana, a atenção ao cliente é primordial. “Temos que saber receber o cliente e para isso tem que haver o tal esforço humano”, sublinha João Paulo Borrega, que acrescenta: “o serviço é informal, mas muito bem feito”.

A história de Taberna O Ministro, em Campo Maior, começou a desenhar-se com os pais de João Paulo Borrega. Tinha 17 anos e agora caminha para completar, este ano, 54 anos de vida.

“Foi-se adquirindo conhecimento, limando arestas e formas de trabalhar diferentes porque o cliente assim o exige. Tudo isto respeitando sempre a gastronomia local, o que se reflecte no sabor e quem aqui vem tem essa garantia”, concluiu.

Potenciar o que existe

O chef João Paulo Borrega, enquanto figura reconhecida e respeitada na comunidade, quer incentivar a uma melhor cooperação entre comerciantes, instituições públicas e poder local.

Sugere que “há falta de associativismo e até de apoio, que não é monetário, mas de sentir presença ao nosso lado por parte das instituições, da câmara municipal e das freguesias”.

“Os comerciantes estão de costas voltadas e estas entidades também, isso não pode acontecer e não é culpa de um ou de outro. Ninguém se dignou a dizer o que é que todos juntos podemos fazer”, afirmou.

Expressou ainda a sua preocupação com o futuro do turismo no Norte Alentejo, atualmente em alta, mas que pode facilmente mudar de rota para regiões como a Beira Baixa. “É uma pena que de hoje para amanhã se perca o turismo no Norte Alentejo, porque o fluxo hoje é muito grande, mas amanhã pode ser na Beira Baixa”, alertou.

O chef apontou algumas falhas para dar respostas aos anseios turísticos, em particular ao fim-de-semana. “Não se pode vir a Campo Maior num domingo de manhã e não haver um sítio onde tomar um pequeno-almoço ou, num domingo à tarde, em que somos apenas dois restaurantes de porta abertas. Dormidas não há sem ser dois ou três turismos rurais, que são muito bons. Campo Maior trabalha muito bem os almoços e Elvas trabalha muito bem os jantares, e isso vê-se pela questão do alojamento”, frisou João Paulo Borrega não esquecendo que “os governantes são boa gente, homens sérios, uma equipa nova e de gente honesta, contudo enquanto munícipes temos de exigir. Falta alguma criatividade para concretizarem questões em que ninguém pode pensar por eles”, finalizou.

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