No mês passado, alguns órgãos de comunicação social noticiaram o aumento do número de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e, inclusive, a Direção Geral da Saúde (DGS) ponderava acabar com o anonimato dos portadores de DST.

Considerei que seria pertinente falar sobre este tema por diversas razões. Primeiramente, porque na passada semana se realizou a viagem de finalistas do ensino secundário e, concomitantemente, por ainda haver um intenso debate sobre aquilo que deve ser ensinado nas escolas no âmbito da Educação Sexual.

Hoje em dia, sinto que os jovens, cada vez mais, se regem pela máxima de “aproveitar cada dia como se fosse o último”. Isso não é concretamente algo negativo; Ricardo Reis lá se guiava pelo estoicismo e pelo epicurismo e é algo que subscrevo, pois a nossa condição enquanto humanos faz-nos estar conscientes sobre a iminência da nossa morte. Porém, não é justificável que essa mesma máxima leve a comportamentos de risco, envolvendo excesso de álcool, consumo de drogas, condução irresponsável ou práticas sexuais desprotegidas.

Assim, de forma a evitar tais comportamentos nefastos, fica, a meu ver, à responsabilidade dos pais/tutores e das instituições de ensino a introdução destas matérias, de maneira que os jovens estejam informados e em segurança. Porém, muitas vezes, há a ideia de que ao explicar este tipo de questões a jovens adolescentes, estas irão potenciar a sua curiosidade e o seu desejo pela experiência. A verdade é que, caros pais, as estatísticas revelam que os jovens com acesso à “disciplina” de Educação Sexual (quer seja na escola ou em casa, daí o recurso às aspas) iniciam a sua atividade sexual mais tarde e tendem a envolver-se e a desenvolver relações saudáveis com o seu parceiro, fora outros comportamentos sociais que impactama sua vida e a daqueles que os rodeiam.

Outro motivo que acredito que esteja relacionado com esta relutância é a religião. Não se preocupem, não vou entrar num debate profundo sobre as crenças de cada um, mas a verdade é que, entre alguns crentes, ainda se defende muito a ideia de que as relações sexuais têm de visar a procriação e não o prazer; este poderá eventualmente surgir com o ato, mas não deve ser uma prioridade. Logo, aqui vimos o quão importante é falar sobre a natureza e a tipologia das relações, as diferentes possibilidades de práticas sexuais, de forma que, como tenho vindo a discorrer, possa ser um momento de diversão e segurança. E a verdade é que esta também tem sido uma discussão recorrente na Assembleia da República, na medida em que alguns partidos mais conservadores têm defendido que não se deve falar de todas estas questões com os adolescentes.

Já que, atualmente, se universalizou tanto o uso das redes sociais, sugeriria que espreitassem a página da sexóloga Tânia Graça. Evidentemente, haverá uma série de outros criadores deste tipo de conteúdo com a devida formação, no entanto, gosto muito da naturalidade com que esta sexóloga fala sobre os diversos temas, sem tabus e desmistificando uma série de mitos.

No fundo, nada melhor que fazermos as coisas com tempo e com consciência. Não há necessidade de nos deixarmos levar por mitos, pela pressa ou pela pressão dos nossos pares. Isto vai parecer demasiado zen, até mesmo para mim, mas o que tiver de acontecer, acontecerá a seu tempo. Há que ganhar maturidade, consciência e informar-se e, assim, poder-se-á tomar decisões acertadas, que não colocarão a própria pessoa em risco, nem os demais.

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