A arte é um farol luminoso da expressão humana, incitando-nos a mergulhar na contemplação da nossa própria existência, dos valores que nos definem e da sociedade que construímos. Na sua diversidade, estendendo-se da tela pintada aos palcos vibrantes, a arte transcende a mera estética, ela apresenta-se como uma essência crucial para desvendar os mistérios do que significa ser humano.

Reconhecemos o valor inquestionável dos profissionais de saúde, segurança e agricultura, cujo trabalho árduo e dedicação são a espinha dorsal da nossa sociedade. Estes profissionais, munidos de conhecimento e coragem, enfrentam os mais variados desafios, muitas vezes tendo de suprimir a sua própria humanidade em prol do bem-estar coletivo.

Perante a hipotética escolha entre um médico e um artista, diríamos que a resposta é óbvia. Contudo, é realmente necessário colocar esse dilema? Não deveríamos, ao invés, buscar um equilíbrio que reconheça e valorize a importância de cada um no seu respetivo domínio?

A liberdade proporcionada pela arte tem o poder de nos resgatar, de nos oferecer um alívio momentâneo das angústias que nos assolam. Através de filmes, músicas, peças teatrais e visitas a museus, encontramos uma válvula de escape da realidade, um meio de enfrentar as adversidades sobre as quais não temos controlo. Talvez, para um médico, a arte sirva como um refúgio essencial, ajudando-o a lidar melhor com as exigências da sua profissão.

Ser artista, especialmente num país de contrastes como Portugal, onde a distância do litoral pode significar uma luta maior pelo reconhecimento, não é tarefa fácil. Em Campo Maior, vejo artistas talentosos que não permitem que as suas origens limitem as aspirações. Eles abraçam as suas raízes com paixão, enfrentando desafios e superando obstáculos impostos por preconceitos e pela descrença no potencial da arte como carreira viável.

E, ainda assim, persistem. Continuam a produzir música, videoclipes, a estudar teatro, a criar obras enraizadas na sua cultura, em busca de arrancar sorrisos de um povo que parece relutante em deixar de lado a sua máscara de dor.

Nós todos a sentimos, tentamos fugir dela, mas inevitavelmente encontra-nos. É nesse momento que podemos recorrer à arte, seja a escutar “Pó D´Ar” dos B3L2, apreciando ao vivo o fado cantado pela Leonor Alegria e pelo Duarte Silvério, as atuações ao vivo da Banda 1º de Dezembro, a leitura dos livros de autores campomaiorenses, as pinturas e artes plástica sou relembrando as risadas trazidas pelo teatro e a liberdade celebrada na “Agora” revista.

Celebrar e apoiar a arte é reconhecer o seu poder transformador, capaz de unir, inspirar e elevar a alma humana.

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